Hécate a Senhora dos Três Caminhos

       Hécate foi associada às encruzilhadas (de 3 caminhos) porque uma encruzilhada, nada mais é do que um cruzamento de caminhos, e Hécate é a Senhora dos caminhos,e por uma encruzilhada simbolizar a natureza tripla de Hécate (Donzela, Mãe e Anciã; Passado, Presente e Futuro; Vida/Morte/Renascimento ou Submundo/Terra/Olimpo), mas tem mistérios mais profundos, depois de cruzar o Stix,uma alma grega antiga de alguém que havia falecido recentemente, deveria se encontar num lugar onde três estradas se encontram para serem julgadas (pelos 3 Juízes do Hades, Radamanto, Éaco e Minos).
   A encruzilhada é a parte onde os caminhos se cruzam. É, apesar de sua forma geométrica, o local dos demônios. Nas encruzilhadas os gregos e romanos depositavam presentes a Hécate, aos fantasmas.





 “A encruzilhada tem sido um tema recorrente em toda a história da nossa cultura como sintoma de crise e transformação. Quando nos encontramos num dilema, indecisos em optar por uma das múltiplas oportunidades que nos oferecem, dizemos estar numa encruzilhada. A encruzilhada é um ponto de ruptura e mudança. Na história da Magia as encruzilhadas de Hécate eram lugares onde nos encontrávamos com os nossos mortos e os nossos atavismos. Aí exaurimos o sangue de nossas libações de modo que, cedendo um pouco da nossa substância de vida, trouxéssemos à vida o passado morto e esquecido. Não é possível transformarmo-nos sem cedermos uma parte de nós, representada pelo conforto e desejos compulsivos, que alimentam a nossa mediocridade e alienação. A Iniciação à “Bruxaria Sobrenatural”, expressão cunhada pela historiadora húngara Eva Poes, começa, por isso, sempre na encruzilhada, na crise. Ela exige que cedamos um pouco de nosso ego em troca de algo superior. Assim, a encruzilhada é o lugar onde se perde a razão. É o sítio dos enforcados. Mas eu diria que não é a razão que perdemos mas a nossa máscara, onde se sedimentaram os condicionamentos da religião e da sociedade. O despertar começa contra ambos. É o que o poeta René Daumal chamava a guerra santa.”
                                                                                       Gilberto de Lascaris