A Confraria Sethiana




Na Confraria Sethiana celebramos o Culto de Kali-Nuit ou Isis Negra que é a Alma de Sothis ou Estrela Sírius. Para os feiticeiros-magistas do Templo de Auset a estrela Sírius é o veículo astronômico de Seth nosso deus mais antigo e arquétipo da contra-iniciação. Ao incorporar a máscara teriomórfica de Seth-Baphomet o feiticeiro abre um vórtex ou portal dimensional e canaliza os poderes do Amon ou Sol Oculto, o Sol em atrás do Sol e projeta sua consciência no Amenta, o lado escuro do Universo e da alma humana.
  Sem dúvida, agir conscientemente na sombra é uma das mais antigas práticas mágicas. É uma capacidade xamânica visto nossa sombra ser a raiz de nossos instintos primitivos e das imagens arcaicas do inconsciente coletivo e pessoal. Suas energias representam o material reprimido e obscuro do subconsiente, Hades ou Amenta.  A característica principal dessa Magia repousa no fato de adotar a Via Retrógrada como caminho de ascese espiritual. As práticas da Via Retrógrada pertencem aos Ritos de Hades ou, como prefiro denominar, ocultismo luciferiano. Nesse caminho, a via de manifestação da gnose passa do inconsciente para o consciente. É à manipulação das ditas energias infernais ou do mundo subterrâneo. Nele poderes internos atávicos são trazidos à luz da manifestação. Por vezes as forças ocultas ancestrais evocadas nos Ritos de Hades antecedem nossa aparição na Terra. Isso é assim porque antes da Criação Universal, havia apenas o Abismo (Nun) do Caos Primal. 
 O  iniciado na Bruxaria Setiana busca experienciar uma verdadeira metamorfose da alma, através de um contato com os processos de vida e morte da própria natureza. Com a correta aplicação de seus princípios, visamos penetrar até às profundezas da sombra, o lado obscuro da alma, mesmo que isso seja perturbador e icomodativo. Estes aspectos, soterrados no fundo de nossa psique, constituem os impulsos mistéricos que devem ser identificados, acordados, evocados, iluminados,  e no final, absorvidos pelo Adepto em sua consciência relativamente padronizada. Na Bruxaria Setiana este método envolve a morte do ego através de uma descida consciente ao Interior da Terra ou de nosso Inconsciente racial e antropológico, permitindo o emergir dos impulsos dos Velhos Deuses na esfera humana. Os antigos gregos deram a esse caminho espiritual o epíteto de Lúcifer (o “Condutor da Luz), um símbolo fálico-hermético da manifestação universal. Em termos iniciáticos, é a transformação da Escuridão em Luz; do Não- Manifesto em Manifesto; do Vazio em Forma.


No Sabbat da Bruxaria Setiana a crença deve se tornar orgânica. Isso significa que buscamos a objetivação do “sonho inerente” que é a encarnação do mundo onírico. A corporificação da subjetividade é o que chamamos “Sabbat do Sonho Feito Carne”, onde o feiticeiro setiano ilumina sua consciência e realiza sua Verdadeira Vontade. Essa gnosis pertence ao círculo secreto dos homens e mulheres sábias da Arte.